19 agosto, 2012


SONETO DO AMOR À VAIDADE

Antes era o começo da mudança
Como uma chance de aprender amar
À luz da morte deixei de esperar
E fui perdendo as minhas esperanças

Mas o futuro, como a nos zombar
Pregando peça, brinca e diz que não!
Entrou de sola pelo meu portão
E em minha cama resolveu deitar

Diz que nao parte antes que eu lhe entregue
Cada palavra salgada de lágrima
Cada soluço guardado, profundo

E desde então a minha vida segue
Eu e o futuro, cheios de vaidade
Loucos de amor a devorar o mundo.

15 agosto, 2012

Deixe-me chorar a tua morte
sem silêncio ou culpa
deixe-me chorar alto
soluçar aos prantos
estou consada de misturar minhas lágrimas
com a agua do banho
eu quero senti-las em eu rosto
preciso chorar a tua morte
preciso viver a tua morte
preciso matá-lo
para sempre
deixe-me
chorar

13 agosto, 2012

Isso me dá falta de ar!


Um mergulho na solidão e você já não é o mesmo. 
Fortaleça seus pulmões, pois cada vez será necessário ir mais fundo. Até o dia em que não retornaremos à superfície.
Viver é a arte de esperar a morte sem temê-la, e aproveitar cada segundo enquanto a noite não chega, e beber cada gota de mel ofertado pela abelha rainha, e lembrar que somos feitos de carne, e sendo carne, invariavelmente feneceremos.
Um mergulho na solidão e você já não é o mesmo. Você é mais.

ÚLTIMO BEIJO

Disse-me adeus e me beijou. Na verdade parecia mais com um soluço bêbado do que um beijo, mesmo que fosse o último. Eu não conseguia nem mover as pernas, e ele já tinha atravessado a movimentada avenida. Parecia ter cronometrado o adeus e o beijo com as sinaleiras à nossa volta, só pra que eu não tivesse chance de dizer nada ou esperando que eu me atirasse por entre os carros. Eu não conseguia nem mover minhas pernas e já o imaginava com outra, no bar da faculdade, sorrindo serelepe com os colegas, como se não houvesse nada entre nós. Eu não conseguia nem mover minhas pernas e alguém já me empurrava, "com licença moça", e me dei conta de que eu tinha que tocar o dia, independente de que conseguisse ou não mover minhas pernas.
Quando cheguei em casa à noite, ele foleava uns livros, sentado no sofá. Levantou-se, e veio em minha direção com aquela seriedade que só os chatos conseguem manter em meio às tempestades. Quando parou na minha frente mirei e nem pensei. A bofetada estalou, e eu senti minha mão latejar no mesmo instante. Devia ter doído nele também, tamanha dor agora eu tinha nos dedos.
- Nunca mais me abandone daquele jeito.
E quando eu calei, o beijo não tinha mais gosto de soluço.

01 agosto, 2012

31 julho, 2012

Quando muito tempo



Quando tudo lá fora calar
Só o sopro do vento, cabelo moreno
Silêncio de dentro, desanuviar

Quando o calor dos dedos vencer
Tirar o mofo do cangote
Deixar o vaso de flores sobre a mesa

Quando acima do céu
Acima do mar, acima de tudo
O sol me aparecer de repente

Esse será o momento:
O meu momento
Doce e calmo, a seu tempo

O quando de pegar a estrada
O quando de chegar longe
O quando eu sou feliz!

(poeminha de volta às aulas...)

30 julho, 2012

Resto Manifesto




Agora ninguém vai morrer comigo
Agora a cama está vazia e meu peito
Não faz Tum, nem zum, nem nada
Agora é só a dor no meio do seio
E o soco no meio da cara
E o abismo de não querer
Agora é o só, que um dia foi sol
Agora é só dó de doer
Agora é o roer as unhas
E torcer pelo próximo.

Agora o resto é resto.

Alguém me junte, por favor.

22 junho, 2012


Enquanto o tempo
puxa meus cabelos
Percebo o vento

Não há lamento
por um momento

Por pouco, invento!