13 agosto, 2012
Isso me dá falta de ar!
Um mergulho na solidão e você já não é o mesmo.
Fortaleça seus pulmões, pois cada vez será necessário ir mais fundo. Até o dia em que não retornaremos à superfície.
Viver é a arte de esperar a morte sem temê-la, e aproveitar cada segundo enquanto a noite não chega, e beber cada gota de mel ofertado pela abelha rainha, e lembrar que somos feitos de carne, e sendo carne, invariavelmente feneceremos.
Um mergulho na solidão e você já não é o mesmo. Você é mais.
ÚLTIMO BEIJO
Disse-me adeus e me beijou. Na verdade parecia mais com um soluço bêbado do que um beijo, mesmo que fosse o último. Eu não conseguia nem mover as pernas, e ele já tinha atravessado a movimentada avenida. Parecia ter cronometrado o adeus e o beijo com as sinaleiras à nossa volta, só pra que eu não tivesse chance de dizer nada ou esperando que eu me atirasse por entre os carros. Eu não conseguia nem mover minhas pernas e já o imaginava com outra, no bar da faculdade, sorrindo serelepe com os colegas, como se não houvesse nada entre nós. Eu não conseguia nem mover minhas pernas e alguém já me empurrava, "com licença moça", e me dei conta de que eu tinha que tocar o dia, independente de que conseguisse ou não mover minhas pernas.
Quando cheguei em casa à noite, ele foleava uns livros, sentado no sofá. Levantou-se, e veio em minha direção com aquela seriedade que só os chatos conseguem manter em meio às tempestades. Quando parou na minha frente mirei e nem pensei. A bofetada estalou, e eu senti minha mão latejar no mesmo instante. Devia ter doído nele também, tamanha dor agora eu tinha nos dedos.
- Nunca mais me abandone daquele jeito.
E quando eu calei, o beijo não tinha mais gosto de soluço.
- Nunca mais me abandone daquele jeito.
E quando eu calei, o beijo não tinha mais gosto de soluço.
01 agosto, 2012
31 julho, 2012
Quando muito tempo
Quando tudo lá fora calar
Só o sopro do vento, cabelo moreno
Silêncio de dentro, desanuviar
Quando o calor dos dedos vencer
Tirar o mofo do cangote
Deixar o vaso de flores sobre a mesa
Quando acima do céu
Acima do mar, acima de tudo
O sol me aparecer de repente
Esse será o momento:
O meu momento
Doce e calmo, a seu tempo
O quando de pegar a estrada
O quando de chegar longe
O quando eu sou feliz!
(poeminha de volta às aulas...)
30 julho, 2012
Resto Manifesto
Agora ninguém vai morrer comigo
Agora a cama está vazia e meu peito
Não faz Tum, nem zum, nem nada
Agora é só a dor no meio do seio
E o soco no meio da cara
E o abismo de não querer
Agora é o só, que um dia foi sol
Agora é só dó de doer
Agora é o roer as unhas
E torcer pelo próximo.
Agora o resto é resto.
Alguém me junte, por favor.
22 junho, 2012
20 junho, 2012
Como se fosse calar
Ensaio a valsa para o teu retorno
Amor, essa febre que me queima os lábios
Noturno, o suor do corpo, a guerra, a ferida
Tudo faz sombra em minha face
À noite, o canto tem gosto de lágrimas
Esse pão amargo e sem fermento
Antes, era o beijo frio que me amolava
Hoje, eu amolo a faca que usastes
No meu coração que virou pedra
O amor, como o fio que atravessa a carne
O amor, que deixastes em coma em cima da cama
O amor, que levou meu sorriso para o fundo do rio
O peito pesa
e afasta da superfície esse cálice
de vinho tinto de sangue.
23 maio, 2012
Entre ir e vir
Ele disse chora
como quem diz ao vento
vai
E eu fui embora
Roubar uns sentimentos
ai
Esse pedaço
de aço
quem vai esculpir
Meu coração
cimento
E Deus a dirigir
Eu disse: fique
longe. Não vou
desistir
E o dia
fez-se noite
Açoite
Deixa o mundo vir.
como quem diz ao vento
vai
E eu fui embora
Roubar uns sentimentos
ai
Esse pedaço
de aço
quem vai esculpir
Meu coração
cimento
E Deus a dirigir
Eu disse: fique
longe. Não vou
desistir
E o dia
fez-se noite
Açoite
Deixa o mundo vir.
17 maio, 2012
Janela fechada
Do lado de dentro
O caos terapêutico
Do lado de fora
Nada demais
O sol há de brilhar
sem que eu precise abrir as persianas
O caos terapêutico
Do lado de fora
Nada demais
O sol há de brilhar
sem que eu precise abrir as persianas
15 maio, 2012
De viver como autômato
Cada lugar uma história diferente
Cada dor, dói em lugares
que a gente nem lembra que sente
É duro levantar, andar, fazer coisas
Às vezes fica difícil até respirar
e caminhamos afogados pelas ruas
Ninguém conhece o amor
e passa por ele impunemente
A vida não prega peças
pois o palco é permanente
Cada lugar
uma história diferente
e em cada história
uma vida. Viva!
07 maio, 2012
Por todo chorar
Choro pelo que podia ter sido, e não foi.
Choro pelos dias frios e pelas noites escuras .
Choro porque minhas mãos estão cheias de fel,
Meu rosto cheio de rugas
E meu coração cheio de pedras.
Choro, pois meus bolsos estão vazios,
e meus olhos cheios de pó.
Choro.
E chorando hei de encontrar um caminho
E chorando hei de amar
Pois sou cheia de vida e de lágrimas,
E não me interessa viver uma vida sem dor.
21 dezembro, 2011
A Janela de Jéssica

Andava inquieta.
Há algum tempo não tocava na comida
não olhava nos olhos
nem lembrava de Deus.
De vez em quando,
quando a calma vinha,
conseguia olhar o sol
através da janela.
Mas só de pensar
em voar novamente
as asas lhe doíam.
Tanto tempo na gaiola
que o que sobrou
foi só o pássaro.
Jéssica não estava mais.
Só a Janela ficou
Suspensa na parede...
25 novembro, 2011
Sorte
24 outubro, 2011
Mariposa
Minha versão de segunda talvez seja a mais nua -
Acho que vou me despindo no final de semana.
Das roupas, atiradas pela calçada
Resgato as peças que ainda me servem
E deixo os trapos pelo caminho
Ao olhar no espelho, reconheço as marcas da rua.
O cheiro do pó, a terra ainda molhada
Da chuva que não passa, aqui, dentro de mim...
Eu chovo, choro, me recomponho
E rego as flores para o próximo domingo.
18 outubro, 2011
fino da taça
Esvaziar a cabeça das idéias
e dar espaço ao sentimento
ao cheiro do álcool
ao fino da bossa
andar de bicicleta
e pelada
e na chuva
e ganhar um beijo
molhado
roubado
trocado
um pouco estalado
pão e dor
verso de tambor
e sair por aí
a dançar
a dançar
e esquecer
apenas esquecer
que fui borboleta
neste imenso salão
fui apenas a borboleta
que você viu cair
morta
estendida no chão.
Uma taça de vinho,
chega pra lá meu bem...
01 junho, 2011
Sobre a arte do desapego
18 maio, 2011
Lágrimas no meio-fio

Lágrimas no meio-fio...
Vim bater aqui
na porta da tua casa
Escondida entre as árvores
pique-esconde de verdade
Lágrimas no meio-fio...
Te espero aqui
Com a boca entre os joelhos
que já foram teus
e que já foram meus
Lágrimas no meio-fio...
Escutando os passos
Não me escondo mais
O ranger de dentes
me entrega
Há gente na rua
01 abril, 2011
Abraça-me assim, até que eu não caiba mais em mim
02 janeiro, 2011
Do dia em que partimos em um barquinho de papelão...

E teve aquele encontro mágico
a grande noite dos olhos coloridos
Tal qual as três Marias, éramos um e mais
simbiose dos corpos e mentes
Nem chão nem céu, não havia limítes
A água invadia nossos sentidos
Acordamos pela manhã
Em um belo submarino amarelo
Viagem longa, os pés cansados
Nosso caminhar é diferente desde então
E devolvemos ao rio todos os peixinhos dourados
que trouxemos, nos bolsos, do ládo de lá...
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