11 junho, 2021

LAVOURA AMOROSA

Plantar silêncios 

entre os pelos do teu corpo 

Criar sulcos, redemoinhos afetivos

Regar com a água da boca



26 dezembro, 2020

NOTA DE RODAPÉ




Saudade, cicatriz da memória: a lembrança de um amor que me dói quando estou prestes a chover. 

24 novembro, 2020

Que sibila

 ~ Vibrar na alegria, acolher o vento. Sentir o coração em todo o corpo, conter a emoção sem deixar de ser sentimento. Sentir que partir é poder perder-se em infinitas possibilidades, mas na certeza de um só encontro: um outro consigo mesmo. A sina, o amor e o viver do tempo. O verbo é ser, seguir, sorrir, saber sentir, se florescer, se seduzir, se agigantar no entendimento. ~

Alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho. 

🌠

26 outubro, 2020

 Geralmente, tropeço. É característico: um desajeito no caminhar, como se nunca firmasse a marcha, como se ainda ensaiasse os movimentos de um pé depois o outro. Quando em reta, corpo inteiro, desabo em mistérios no asfalto do chão. No declive, me esguio e surfo à baila de espiral e vento. Nos degraus ascendentes, cuidado permanente em manter presos, na boca, todos os dentes.

Mas o pulso firma, me ergo, e ao ver a sombra do meu corpo em movimento, lutando contra a gravidade, penso que grave mesmo é cair e ficar estático. Enquanto houver sol haverá sombra, e haverá luta, e eu seguirei, com um pé após o outro, aprendendo caminhar.

16 setembro, 2020

COMO LAVRAR UM BOLETIM DE OCORRÊNCIA

 hoje eu tinha me programado: 

quando chegasse a noite

quando tudo se acalmasse

passadas as horas de trabalho 

encerradas as tarefas domésticas 

quando todos os animais estivessem alimentados 

eu me sentaria 

quieta 

e escreveria um poema 

com versos de amor 

pra te paquerar 

era esse o meu planejamento: 

ouvir os ecos eróticos que ainda restam no meu corpo 

aproveitar essa onda de calor 

em meio ao inverno chuvoso 

e te mandar um poema-fogueira 

como um braseiro que atravessasse infinitos caminhos digitais 

para chegar ateh teus olhos 

e aquecer teu coração.


assim seria se não fosse essa dura realidade

fui atropelada 

invadida 

saqueada 

esvaziaram o estoque de palavras amorosas 

quando vi as prateleiras vazias de versos 

chorei 

chorei ateh soluçar 

tentei meditar em vão 

tentei perdoar os invasores 

e não adiantou

pois sei que fui eu que abri a porta. 


enfim, faça-se pelo menos o registro da ocorrência


em vez de um poema de amor 

te envio o B.O.

e

podes queimar depois de ler.