30 outubro, 2013

Meu Espelho



 
Não temo o futuro
Esconderijo secreto
Do que já está aqui
Pois no instante que virá
Nada existe se não o que não há
 
Não sofro o passado
Deixo que meus mortos
Durmam e descansem
Esqueço, no mais,
Até das flores e das pedras
 
Mas esse instante que passa
É meu martírio e meu alento
Esse é lugar onde vivo
O presente é o espelho
Do meu tempo de viver
 

15 outubro, 2013

Há vagas


 
Em dias assim, minha alma transita
entre o mundo e o mundano
entre o real e o insano
Buscando alguns sortilejos
 
E nesta esfera mitológica
Imponho minhas paixões
Empenho as ilusões
 
Às varejeiras ponteadas: a vida
Às matadeiras de combate: a morte
 
Excepciono-me: há vagas
 
 

10 outubro, 2013

Do Prazer de Primaverar-se


Desprender-se
Desaprender-se
Desapegar-se
 
Perseguir-se
Persistir-se
Permitir-se
 
Ser a folha
Ramificar-se
Ser a raiz
Florecer-se
 
 Entre os anjos
Esgueirar-se
Entre as trevas
Perceber-se
 
E depois aproveitar
E gozar
E relaxar 
 
Já chegou a primavera
Já é tempo de amar!

16 setembro, 2013

Fronteiras

 
 

A Natureza, revolta
Construindo um sorriso-ponte
Desbravando um suspiro-estrada
Um caminho etéreo
Fazendo com que meu ser
Toque o seu ser
E assim: seremos


16 agosto, 2013

Casamento

 

Um degrau
Dois corações
Três pedras de gelo

Quatro mãos
Cinco da manhã
Seis mil dólares

Sete anos de azar

 

12 agosto, 2013

Só vai quem voa

Pássaro implume

Eu tinha um jeito de andar
olhando pro chão
que se perdeu
com o passar dos anos.
 
Percebo que agora
tenho considerado 
o horizonte das gentes,
ensaiando o salto,
intencionando-o mesmo.

No mais das vezes 
tropeço, e daí  
rasgar os joelhos, 
acostumar-se à vertigem da queda, 
aprender cair:
tudo já é vôo.

E eu, de braços abertos 
e os olhos bem fechados,
no enquanto,
humildemente,
aproveito a vista.

09 agosto, 2013

Meu bem, guarde um pedaço de pão na manga do seu blusão



Naquele campo
Bordado de flores
Lugar de encontros e desencontros
Espaço de tantos desencantos
Naquele campo
Bordado de versos
Espaço de tempo, sem tempo
Espanto de tantos, no entanto
Naquele campo
Sentei-me
Contei-te versos
Bordei-te amores
E acordei
Bem na hora do café

30 julho, 2013

Cética Lágrima

 

Os olhos aprovam sobejo futuro
Sonhado, passado, o sonho despido
Não guardam rancores, sossegam de cama
Descartam amores vorazes e ambíguos
 
Os olhos merecem mais vida, mais cores
Atrasos, recortes de um corpo varão
Acordam cansados no meio da noite
Bocejam a paz dos que nunca virão
 
Meus olhos, guardados no bolso da calça
Tentando esquecer, não te ver, não sentir
Os meus outros olhos, o lar dos adeuses
Os olhos que nunca me deixam sorrir