24 junho, 2013

Nós

 
Sobretudo
eu sinto que este nó na garganta
é um gole
um engasgo 
uma gota qualquer
de lágrima ou orvalho ou cachaça
perdida entre as cordas vocais e o peito,
em busca de um sossego largo
em busca de solidão
 
Esse nó é um soluço
um pequeno pedaço de morte
uma deixa para o adeus
um pouco do que não é nada
 
Esse nó
Sou eu

18 junho, 2013

Tic-Tac-o-tempo

 
 Conta o tempo por teus passos
Jamais através de amores
Que o relógio coração
Acelera com as dores
Ao passo que, caminhando
Tu conservas tuas cores ;)

17 junho, 2013

Meu Coração é um Cabaret Lotado

 
 
Meu coração é um cabaret lotado:  
Os aplausos são desejados
Os sorrisos são gratuitos
E o trânsito é natural e selvagem.
Pode haver amor, beleza e regozijo,
Mas ainda assim
É um velho cabaret.

07 maio, 2013

Síncope



E porque chegastes assim
De assalto, roubando-me
O pouco fôlego
Que os cigarros e as noites
de pranto me deixaram
 
E porque não me cobrastes
Nada além do ar, do mar
Do amor que pode existir
Entre dois corpos
 
E porque meus olhos
Quedaram-se mudos nos teus
E minha boca cala-se
diante de tua vontade
 
Porque reconheci em teus gestos
O mesmo desejo de viver sem dor
 
Eu, livre, vaga, leve
Deixo que o céu se imponha
 
Leva-se da vida
O que há de belo
 
Leva-se amor
Nada mais.
 

28 março, 2013

Poema a Quatro Pés*



Meus pés na areia
forjam covas miúdas
que o vento esconde
por falta de cadáveres.
 
Os pés cansados
Plantados
Não passeiam

Nos pés
Há plantas

E eu
Não tenho
Planos
 
 
*Guilherme Bica e Anne Lee Poeta

06 março, 2013

Da Contrução do Poeta


Nenhuma palavra me define
Esse vazio, nada preenche
Sigo mudando, tentando ser firme
O prazer como refúgio, ilusão perene
À contra-gosto,
Invento
Tijolo por tijolo
Assento
Em uma construção-esboço
Pelo fio que me resta ainda arde
Uma busca sincera, uma saudade
Sou escrava
de minha liberdade


28 fevereiro, 2013

Status Quo

 

Domesticar a minha angústia
a ponto de poder alimentá-la
sem que ela me morda
 
Solidificar a solidão
sensibilizar a razão e
não morrer de coração
 

21 fevereiro, 2013

Soma



Em cada gesto abjeto
Os desejos encobertos
A sestrosa negação
 
Se um dia me encontrares
Se um dia perguntares
Certamente direi não
 
Mais mil noites pra viver
As mil dores de morrer
Teu amor: a solidão