11 novembro, 2012

Canto da Sereia



Pelas margens do teu corpo
Meu abrigo em teu porto
Mansidão de véu anis

Ouvi pássaros cantarem
Vi teus pés me libertarem
De uma tarde fria e gris

Há um pouco de bondade
No coração da cidade
A canção do mar eu fiz

E no teu olhar cativo
Suportei o amor que vivo
E pensei em ser feliz

06 novembro, 2012

Do Viver Sonâmbula



Sonhar com o dia em que 
acordarei no teu beijo
O absinto das palavras
Amor, fel que embriaga
Um ranger de dentes atrás da porta
O sol nasce para quem abre os olhos
E vê que não está só.

30 outubro, 2012

Remordimientos



Tenho vontade de tocar-lhe os cabelos.
Tenho um carinho de dedos guardado para esse dia...
Se não trouxer-me amor, dou-te minha língua.
Mas se o amor estiver lá, se enfim o céu da tua boca virar meu paraíso, esquece...
Pois por todos os dias morarei em teu pêlo, e vivendo-te, morrerei.
E amando-me, viverás.

Roda a viva




Por mais que eu sinta
Meus pés cansados
A dor me escapa
Enquanto espero

Porque eu caminho
A mercê do vento
Distraio minhas sandálias
E brinco com as pedras

O mundo me alcança
Em acordes maiores
Onde houver sol
Ali repouso minhas mágoas

Nem sempre a vida
é dança de roda
Mas rodar sobre a estrada
Ainda é sentir-se vivo.

26 outubro, 2012

A Poeta e o Passarinho I e II





A Poeta e o Passarinho I

-Ah! Passarinho...
Vem cantar junto do meu ninho!

-Ah! Lindo demais!
Mas se eu pousar, não canto mais...



A Poeta e o Passarinho II

Avistei as
asas de longe
Planando leve
quase a pousar
E o seu canto
triste e fagueiro:
Que tens de dor?
Que tens de dar?

De súbito
riso e compasso
Meu coração
a desejar
Venci o verbo
Ganhei poesia:
Em nosso ninho
podes voar...


24 outubro, 2012

Pedrita vai ao médico




De dois gestos
indigestos
Dança a luz
naquele bar
Tantos tempos
contratempos
Mas que viram
teu olhar
Outros olhos,
muitos olhos

teu luar...

(para Liana, no instante que passa)

17 outubro, 2012

Todo Pudor Será Castigado



Atravesso o obsceno para chegar ao teu lado
Pouso à direita, e repouso sem pressa
Há um olhar que contempla minhas asas
Há um pudor que me atira contra o galho
À guisa de poupar-me a voz

Deixo a aurora se aproximar com cuidado
Deixo que meu hálito penetre em teus hábitos
Em silêncio, apenas o arrepio dos mortais
E à luz que se aproxima, antevejo a janela
Aberta para o primeiro vôo

14 outubro, 2012

Por um gole de salmoura



Junto
Perto
Longe
Deserto
Solidão
Amor
Palavra
Gente
Cor
Deus
Mudança
Teus
Meus
Nossos
Nossas
Solidões
Solidão
Uma 
Solidão
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