31 julho, 2012

Quando muito tempo



Quando tudo lá fora calar
Só o sopro do vento, cabelo moreno
Silêncio de dentro, desanuviar

Quando o calor dos dedos vencer
Tirar o mofo do cangote
Deixar o vaso de flores sobre a mesa

Quando acima do céu
Acima do mar, acima de tudo
O sol me aparecer de repente

Esse será o momento:
O meu momento
Doce e calmo, a seu tempo

O quando de pegar a estrada
O quando de chegar longe
O quando eu sou feliz!

(poeminha de volta às aulas...)

30 julho, 2012

Resto Manifesto




Agora ninguém vai morrer comigo
Agora a cama está vazia e meu peito
Não faz Tum, nem zum, nem nada
Agora é só a dor no meio do seio
E o soco no meio da cara
E o abismo de não querer
Agora é o só, que um dia foi sol
Agora é só dó de doer
Agora é o roer as unhas
E torcer pelo próximo.

Agora o resto é resto.

Alguém me junte, por favor.

22 junho, 2012


Enquanto o tempo
puxa meus cabelos
Percebo o vento

Não há lamento
por um momento

Por pouco, invento!

20 junho, 2012

Como se fosse calar



Ensaio a valsa para o teu retorno 
Amor, essa febre que me queima os lábios
Noturno, o suor do corpo, a guerra, a ferida

Tudo faz sombra em minha face
À noite, o canto tem gosto de lágrimas 
Esse pão amargo e sem fermento

Antes, era o beijo frio que me amolava
Hoje, eu amolo a faca que usastes
No meu coração que virou pedra

O amor, como o fio que atravessa a carne
O amor, que deixastes em coma em cima da cama
O amor, que levou meu sorriso para o fundo do rio

O peito pesa
e afasta da superfície esse cálice
de vinho tinto de sangue.


23 maio, 2012

Entre ir e vir


Ele disse chora
como quem diz ao vento
vai

E eu fui embora
Roubar uns sentimentos
ai

Esse pedaço
de aço
quem vai esculpir

Meu coração
cimento
E Deus a dirigir

Eu disse: fique
longe. Não vou
desistir

E o dia
fez-se noite
Açoite

Deixa o mundo vir.

17 maio, 2012

Janela fechada



Do lado de dentro
O caos terapêutico

Do lado de fora
Nada demais

O sol há de brilhar
sem que eu precise abrir as persianas

15 maio, 2012

De viver como autômato



    Cada lugar uma história diferente
    Cada dor, dói em lugares
    que a gente nem lembra que sente

    É duro levantar, andar, fazer coisas
    Às vezes fica difícil até respirar
    e caminhamos afogados pelas ruas

    Ninguém conhece o amor
    e passa por ele impunemente
    A vida não prega peças
    pois o palco é permanente

    Cada lugar
    uma história diferente
    e  em cada história
    uma vida. Viva!

07 maio, 2012

Por todo chorar


Choro pelo que podia ter sido, e não foi.
Choro pelos dias frios e pelas noites escuras .
Choro porque minhas mãos estão cheias de fel,
Meu rosto cheio de rugas
E meu coração cheio de pedras.
Choro, pois meus bolsos estão vazios,
e meus olhos cheios de pó. Choro.
E chorando hei de encontrar um caminho
E chorando hei de amar
Pois sou cheia de vida e de lágrimas,
E não me interessa viver uma vida sem dor.