05 agosto, 2010



Se eu pudesse evitar essa vontade de ti.
Esse não entorpecer me enlouquece.
Se tivesse ao menos o desejo de velar-te,
mas não
Quero sempre mais e mais,
teu conforto, eu sei,
não é de verdade
É mais um colchonete que um porto
é um amanhecer sobre a cidade...

E por mais que eu te peça
que me deixes em paz
a cada olhar
eu vejo o branco dos teus olhos
eu sinto teu cheiro
e esqueço quem sou

Mas preciso andar
e saber o que alimenta minha triste poesia


Não há nada que o mundo ainda não tenha colhido em mim
Cada lágrima, cada pedra de sal
Cada esfera, glóbulo ou óvulo quem tenha brotado em minha verve
É do mundo e nele está.

Me resta agora o ver-te e esperar-te
Chegar ao leito do rio
Banhar-me em sua nudez
E rumar ao céu

Sem paradas ou pedágios
Sem prenúncios nem presságios

Apenas ver-te
E ter-te
E ser-te
Como és
e como sou.

03 agosto, 2010

do amigo




Quantas noites não dormidas
em tua compania...

Quantas noites,
tão bem vividas!

Manhã nascendo
esquece o sereno
que o bicho papão
não vem hoje não

E de dia
amor e prosa:
repatir o pão

Basta uma chamamento
de mente e coração
amigo: te escolho irmão!

(para Catiuci e Rafa, com os braços sempre abertos...)

31 julho, 2010



Cavoco no baixo ventre, equilatero coração,
um motivo para teu perdão...

Bendito é o fruto do teu ventre seco.
Amém.

27 julho, 2010

taberneiro também pensa...




"Vai saber o que se passa na cabeça dessa gente... Vivem inventando um jeito de se amar! Têm sempre um trago esperando, alguma amizade e um assunto amplo, daqueles que podem durar a
noite inteira. Cruzes! E quando começam a cantar, há um repertório infinito, cada um lembra mais canções que o outro. Mas o que passa na cabeça dessa gente, gastando todo esse tempo com teorias que não se desenvolvem, com manhãs que não acordam, e com essas noites que não têm fim? Por que não sossega um pouco, essa gente? Que mania de madrugada acesa essa...."

25 julho, 2010




pode ser que haja algo além da estrada
pode ser
mas não há de ser melhor ou maior
do que o sonho que eu carrego pelo caminho

pode ser que depois de tudo eu consiga ser mais
pode ser
mas não acredito que possa avançar tanto assim
apenas sonho e sigo

crer em mim e em meu amor
a esperança no milagre
basta estar acordado
para o sonho se realizar

13 julho, 2010




Dentro do espelho, devaneio

Atravesso

A cada linha um tropeço

Sou eu quem meço

O tempo não vê tantas linhas

Apenas se esvai

Sigo refém de meu silêncio

E à procura de meu cais...


21 junho, 2010




Estamos vagando por um infinito mar de palavras
As ondas invadem o espaço, idéias e ideais
Um mar sem contornos, sem nortes, apenas o mar

Tu estás dormindo, e eu dormente
Teu corpo é duro, como um pedaço do chão, dentro do mar ainda
Mas teu coração é como se fosse o todo, o mar, belo e infinito

Tu estás dormindo, e eu doente
Teus passos não adquirem mais a cor e o amor da noite
Mas te tenho em minhas mãos como se fosse anteontem

Eu sei que tenho que te deixar partir
Mas vive em mim
esse desejo.

Tu dormes. E eu habito a casa da tua dor, na ânsia de te viver.
Tu dormes. E eu continuo acordada, esperando
Enquanto a noite não vem.