07 abril, 2016

RECORTE



a língua mansa
avança
sem pedir licença
cada palavra
da cobra
o bote
meu recato
não resiste
teu decote
pula na nuvem
lambe o céu
roça o paraíso
a língua 
viva



04 abril, 2016

PE(r)DIDO



Pudesse
Deixava ser posse
Deixava o meu fosso
Deixava de ser

Na posse, não posso
Pedido bandido
Banhado em silêncio
No amanhecer

Como não bastasse
Não fosse o destino
Pudesse, menino
Amava você!

03 agosto, 2015

22 julho, 2015

Enquanto Casa



A alma é como uma casa de madeira, que faz barulhos com as mudanças de temperatura. O importante é sempre lembrar que não são fantasmas: são os nós do tempo.

Das Águas Passadas



Nos momentos em que me desalmo, deságua em meu peito um rio nostálgico de saudades e fantasias. Alguns aromas de cânfora e mel, uns bons goles de um doze anos, alguns acordes macios que lembram navios nos dias de vento. Enfim, momentos...
Desalmar o peito, desnudar a carne, desde que eu mantenha a mim mesma no centro.

06 julho, 2015

Blues Acordes



Algumas estrelas
De tempos em tempos
Pousam, como aves
Entre meus dedos
Querendo tocar
O meu violão.

Azulam de medo
No primeiro instante...
Não morrem: eternam-se
E divam brilhantes
Dormem estrelas
Acordam canção