20 junho, 2012

Como se fosse calar



Ensaio a valsa para o teu retorno 
Amor, essa febre que me queima os lábios
Noturno, o suor do corpo, a guerra, a ferida

Tudo faz sombra em minha face
À noite, o canto tem gosto de lágrimas 
Esse pão amargo e sem fermento

Antes, era o beijo frio que me amolava
Hoje, eu amolo a faca que usastes
No meu coração que virou pedra

O amor, como o fio que atravessa a carne
O amor, que deixastes em coma em cima da cama
O amor, que levou meu sorriso para o fundo do rio

O peito pesa
e afasta da superfície esse cálice
de vinho tinto de sangue.


23 maio, 2012

Entre ir e vir


Ele disse chora
como quem diz ao vento
vai

E eu fui embora
Roubar uns sentimentos
ai

Esse pedaço
de aço
quem vai esculpir

Meu coração
cimento
E Deus a dirigir

Eu disse: fique
longe. Não vou
desistir

E o dia
fez-se noite
Açoite

Deixa o mundo vir.

17 maio, 2012

Janela fechada



Do lado de dentro
O caos terapêutico

Do lado de fora
Nada demais

O sol há de brilhar
sem que eu precise abrir as persianas

15 maio, 2012

De viver como autômato



    Cada lugar uma história diferente
    Cada dor, dói em lugares
    que a gente nem lembra que sente

    É duro levantar, andar, fazer coisas
    Às vezes fica difícil até respirar
    e caminhamos afogados pelas ruas

    Ninguém conhece o amor
    e passa por ele impunemente
    A vida não prega peças
    pois o palco é permanente

    Cada lugar
    uma história diferente
    e  em cada história
    uma vida. Viva!

07 maio, 2012

Por todo chorar


Choro pelo que podia ter sido, e não foi.
Choro pelos dias frios e pelas noites escuras .
Choro porque minhas mãos estão cheias de fel,
Meu rosto cheio de rugas
E meu coração cheio de pedras.
Choro, pois meus bolsos estão vazios,
e meus olhos cheios de pó. Choro.
E chorando hei de encontrar um caminho
E chorando hei de amar
Pois sou cheia de vida e de lágrimas,
E não me interessa viver uma vida sem dor.  

21 dezembro, 2011

A Janela de Jéssica



Andava inquieta.
Há algum tempo não tocava na comida
não olhava nos olhos
nem lembrava de Deus.

De vez em quando,
quando a calma vinha,
conseguia olhar o sol
através da janela.

Mas só de pensar
em voar novamente
as asas lhe doíam.

Tanto tempo na gaiola
que o que sobrou
foi só o pássaro.

Jéssica não estava mais.
Só a Janela ficou
Suspensa na parede...

25 novembro, 2011

Sorte



Tinha gosto
Tinha cheiro
Tinha um sonho bom, a palavra

Pousou no meu colo
Se aninhou
Feito ave, firme com as garras

Tinha a vida

Mas teu olhar
Teu olhar tinha tudo
E isso basta.

Nunca mais alçou vôo.

E diz-se até que, às vezes,
No escuro da noite,
Sozinho, escondido
Ele arranca algumas penas...

24 outubro, 2011

Mariposa



Minha versão de segunda talvez seja a mais nua -
Acho que vou me despindo no final de semana.
Das roupas, atiradas pela calçada
Resgato as peças que ainda me servem
E deixo os trapos pelo caminho
 
 
Ao olhar no espelho, reconheço as marcas da rua.
O cheiro do pó, a terra ainda molhada
Da chuva que não passa, aqui, dentro de mim...
Eu chovo, choro, me recomponho
E rego as flores para o próximo domingo.