Essa fala excessiva
é um entrave.
A língua tropeça, cansada
entre os dentes
e não há fonemas
o suficiente...
É uma metástase de palavras
Uma grande cortina de fumaça
a disfarçar as notas claras do meu coração
Como um mágico que brinca
Com o público
E esconde o segredo na mão!
Mas no teu silêncio - amor -
Vislumbro e busco
incansável
Outros modos de usar a boca.
18 março, 2019
15 janeiro, 2019
ESCREVER PARA ESQUECER
Todos os poemas de amor
que eu não fiz pra você
serão publicados
São centenas de versos
Sobre mim e minha pele
Em outras peles
Outros corpos que não o teu
Tantos anos tentando
Te esquecer
E só o que eu consegui
Foi escrever um livro
04 dezembro, 2018
26 outubro, 2018
SEMEADURA
A solidão tranquila da primeira lágrima
nascente de torrentes infinitas
surge na face do poeta
após longo período de estiagem
Agradece com alegria a chuva
e se joga em forma de semente
na espera da germinação
para o próximo poema
Plantar para colher para plantar
em ciclo infinito
de prosa poética telúrica
Amar a terra, usar os dedos
sentir a umidade de cada verso
fecundar feliz a página em branco
29 agosto, 2018
ONDE NASCEM OS POEMAS
Ali
Entre um cotovelo e outro
Dentro do teu abraço
Na altura do teu peito
Onde deitei meu coração
Ali fiz um ninho poético
E todas as noites
Antes de dormir
Recolho versos
Para o poema em contrução
Da nossa vida a dois...
25 maio, 2018
POEMA PSIQUIÁTRICO
Por medidas de segurança, todos os meus poemas já nascem com problemas psiquiátricos.
O poema que não me causa estranhamento não cumpre seu papel revolucionário, no sentido de me revelar novos sentidos, sentimentos ou idéias. O poeta é um alquimista das palavras, e pode/deve usar suas essências para causar reações, ao menos neuroquímicas.
O poema que não me causa estranhamento não cumpre seu papel revolucionário, no sentido de me revelar novos sentidos, sentimentos ou idéias. O poeta é um alquimista das palavras, e pode/deve usar suas essências para causar reações, ao menos neuroquímicas.
23 maio, 2018
ESQUERDA MARGINAL
Homem de bem: eu vos digo
Com orgulho e consciência
Que a esquerda é feita, realmente
por e para quem vive
À margem
À margem da sociedade
Fora do sistema social
E dentro do sistema prisional
Gente com fome e sem nome
Que se devora e que se consome
Eu sou da esquerda que atravessa a margem
Transita nas margens
A esquerda borderline
À margem com a crase bem cravada
Cavocada na miséria
Eu sou da esquerda marginal
Resgate: somos linha de costura
E não de arremate
Na borda é que a gente resgata
Um pouco de vida
E talvez, quem sabe um dia
Um tanto de dignidade.
08 maio, 2018
TAVA PRECISADA ERA DE MAR
Tava precisada era de mar...
Mar aberto para uns pensamentos largos
Mar manso para os sentimentos barcos
Maré baixa para regular as cheias do meu coração
Marulho nas canelas, fazendo cócegas e rimas dos meus passos em falso
E passeando, caminhar, de mar a mar
Amar o mar, no mar amar
E no silêncio:
Marejar
Tava precisada era de amar.
Mar aberto para uns pensamentos largos
Mar manso para os sentimentos barcos
Maré baixa para regular as cheias do meu coração
Marulho nas canelas, fazendo cócegas e rimas dos meus passos em falso
E passeando, caminhar, de mar a mar
Amar o mar, no mar amar
E no silêncio:
Marejar
Tava precisada era de amar.
15 abril, 2018
AMOR SEM CARNAVAL
Ela dança toda linda e decotada
Na janela da sacaca
Esperando ele passar
No espelho vai deixando a juventude
Em cada giro uma virtude
Em cada salto um olhar...
Na janela da sacaca
Esperando ele passar
No espelho vai deixando a juventude
Em cada giro uma virtude
Em cada salto um olhar...
Ela chora porque não teve coragem
De abrir uma passagem
No seu duro coração
Pra que a vida lhe trouxesse um seu amor
Sem razão e sem pudor
Ela teme uma paixão!
De abrir uma passagem
No seu duro coração
Pra que a vida lhe trouxesse um seu amor
Sem razão e sem pudor
Ela teme uma paixão!
E eu que vejo todo dia ela passando
Como o sol, iluminando
Minha vida tão igual
Também choro por querê-la em segredo
Pois ainda tenho medo
Desse amor sem carnaval.
Como o sol, iluminando
Minha vida tão igual
Também choro por querê-la em segredo
Pois ainda tenho medo
Desse amor sem carnaval.
14 abril, 2018
DO AMOR SÓBRIO
Não serei grande amor
Posto que já esgotei minha cota de exageros
(Nesta vida)
Posto que já esgotei minha cota de exageros
(Nesta vida)
Não serei chuva de bençãos, porque não tem plano nem promessa, mais
Não suportaria nada por ti, antes por mim, e sempre pelo mundo
Mas
Porém
Contudo
Todavia
Porém
Contudo
Todavia
Ainda guardo uma caixa de silêncios
Pode ser que tenha alguns sorrisos lá dentro, esquecidos junto de tantos silêncios, guardados
Pode ser, porque não há garantia
Sorrisos novos, ainda sem uso
Daí pode ser
Pode ser, porque não há garantia
Sorrisos novos, ainda sem uso
Daí pode ser
O que tem mesmo (de sobra) é suor
Com o qual poderás salgar tua carne para conservar algumas naturezas.
Com o qual poderás salgar tua carne para conservar algumas naturezas.
04 março, 2018
07 novembro, 2017
DISPARATE
Eu, que sempre faço as perguntas erradas...
Escondo respostas ou sofro calada?
Eu, que da vida não levo mais que a estada,
pois leve é a alma de quem é caminhada.
Eu que não corro, não nado, não morro, invento cilada?
Eu mesma respondo: eu não, eu nada.
24 agosto, 2017
Canção para o Broto
Verso de amor a gente colhe direto do pé, da boca, dos olhos, das mãos, são doces e suculentos, alimentam alma e coração. Verso de amor que nasce assim da terra, sem aviso, semente em solo fértil, germinada na canção!
04 agosto, 2017
24 julho, 2017
20 julho, 2017
28 maio, 2017
31 março, 2017
NO EXCUSES
to write
to love
to love a writer
to write a love
to write a love with a writer
to love my write
to love
my best writing.
to love
to love a writer
to write a love
to write a love with a writer
to love my write
to love
my best writing.
24 março, 2017
22 fevereiro, 2017
TO LOVE SOMEBODY OU COMO AMAR O RIO DA IMPERMANÊNCIA
e como já não amasse mais tinha uma necessidade ainda maior de amar novamente
mas seria um erro perder a chance de seguir só em sua
jornada já milenar de atravessamentos
e porque já não amava mais andava leve e
sempre em busca
nunca encontrando nada que movimentasse seu interior
a carne
já não tremia
e já que não faz questão de amar encontra sempre um motivo para
a satisfação do prazer seguinte
mesmo sabendo que nunca será o momento
seguinte até que aconteça algo
e que seja doce
voraz e impermanente
e se já não há
amor como prever o momento
a dor e a demanda?
e como não amando
não querendo
não desejando
morre a cada instante era inevitável que amasse
imensuravelmente.
13 fevereiro, 2017
Do Amor na Pós Modernidade
O amor pós moderno
Não respira
Não toca a terra
Não cria raiz
Não recicla
Não fica
Não nada
Evapora
Entorpece
Queima
E desaparece
Descartável
Pós Líquido:
É amor volátil
29 janeiro, 2017
Dos Sonhos Inéditos
Enquanto velo teu sono
És o poema
Sem querer te adorar
Te alcanço
Tudo é vida, amor e paz
Até o próximo despertar
Enquanto velo teu sono
O amor possível
Velo
Vejo
Meu sonho
Enquanto amar
17 janeiro, 2017
A PROMESSA (Todo porto é também Mar)
Tão azul que de azul nem se lembra
mar alto, céu, centro
a vida era movimento
e cores
nunca mais
fotografo a noite
a morte de quem ama
o futuro acabado, posto, dado
Tão seu que de mim já nem se lembra
lenda, linda!
A flor da tenda
Azul
11 janeiro, 2017
08 novembro, 2016
DAS SUTILEZAS
Além do amor
a alegria também é subversiva
e te alimenta
ao invés de te devorar
Mas para além tudo
o amor é
irresistível.
11 outubro, 2016
14 setembro, 2016
DESEJO
Enquanto ela borda
eu ouço as estrelas:
também todas se tecem.
Também nós desenhamos
no céu, a vida.
Enquanto bordas
enquanto estrelas
enquanto vivas!
*para o dia de teus anos, minha filha. Feliz Aniversário!
12 setembro, 2016
Das Vontades (Utouchable)
De dividir
tudo contigo
De te incluir
em todas as minhas orações
De te despir
lentamente, ao som de Antonio Carlos Jobim
De te dizer palavras
todas, em desordem de tamanho, numero e grau
De te deitar entre meus seios
como camafeu, adornando o invólucro do meu coração
De te conservar
inteiro, intacto, instante, in versus
De te ser
amor, apenas.
06 setembro, 2016
Entre Pausas *ALERTA: Esse poema contém uma trilha sonora
E se o amor for desmemoriado?
Estaremos sempre buscando o caminho de casa,
adivinhando feijões deixados pelo caminho,
no eterno retorno-busca-processo...
Contando as pedras, as perdas, as bundas
Gozando as palavras
Seguindo sorrisos
Conservando
os sentidos
os abraços
os afetos
as horas
sempre as horas, Leonard.
TRILHA SONORA:
https://youtu.be/bivzkH4g1ao
28 agosto, 2016
Manifesto Latente
O poetas, os poetas mesmo
aqueles de atar no coração
eles roubam os outros poetas
e roubam das outras histórias
e roubam até de si mesmos
loucos, sábios e vorazes
sabem que pra esse tipo de pecado
o perdão já vem na gênese
que com amor e com palavra
nada é tão pecado assim
se até os beijos podem ser roubados
o que se dirá da palavra
Poetas do mundo:
Uní-vossas línguas!
Poetas do mundo:
Uní-vossas línguas!
09 agosto, 2016
SÊ
O rosto molhado
Denuncia o mistério
Lágrima ou suor
Não se sabe
O coração avisa:
Deixa cair
Virar semente
Fecundar a terra
Nas mãos do poeta
Destilar a dor
Destilar a dor
Tudo brota
Vira palavra: labor
07 abril, 2016
RECORTE
a língua mansa
avança
sem pedir licença
cada palavra
da cobra
o bote
meu recato
não resiste
teu decote
pula na nuvem
lambe o céu
roça o paraíso
a língua
viva
04 abril, 2016
PE(r)DIDO
Pudesse
Deixava ser posse
Deixava o meu fosso
Deixava de ser
Na posse, não posso
Pedido bandido
Banhado em silêncio
No amanhecer
Como não bastasse
Não fosse o destino
Pudesse, menino
Amava você!
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