26 outubro, 2018

SEMEADURA


A solidão tranquila da primeira lágrima
nascente de torrentes infinitas 
surge na face do poeta 
após longo período de estiagem 

Agradece com alegria a chuva 
e se joga em forma de semente 
na espera da germinação 
para o próximo poema

Plantar para colher para plantar
em ciclo infinito 
de prosa poética telúrica

Amar a terra, usar os dedos
sentir a umidade de cada verso
fecundar feliz a página em branco

29 agosto, 2018

ONDE NASCEM OS POEMAS


Ali
Entre um cotovelo e outro
Dentro do teu abraço
Na altura do teu peito 
Onde deitei meu coração 

Ali fiz um ninho poético

E todas as noites 
Antes de dormir 
Recolho versos 
Para o poema em contrução 
Da nossa vida a dois...

25 maio, 2018

POEMA PSIQUIÁTRICO

Por medidas de segurança, todos os meus poemas já nascem com problemas psiquiátricos.
O poema que não me causa estranhamento não cumpre seu papel revolucionário, no sentido de me revelar novos sentidos, sentimentos ou idéias. O poeta é um alquimista das palavras, e pode/deve usar suas essências para causar reações, ao menos neuroquímicas.

23 maio, 2018

ESQUERDA MARGINAL




Eu sou da esquerda marginal
Homem de bem: eu vos digo
Com orgulho e consciência
Que a esquerda é feita, realmente
por e para quem vive
À margem
À margem da sociedade
Fora do sistema social
E dentro do sistema prisional
Gente com fome e sem nome
Que se devora e que se consome
Eu sou da esquerda que atravessa a margem
Transita nas margens
A esquerda borderline
À margem com a crase bem cravada
Cavocada na miséria
Eu sou da esquerda marginal
Resgate: somos linha de costura
E não de arremate
Na borda é que a gente resgata
Um pouco de vida
E talvez, quem sabe um dia
Um tanto de dignidade.

08 maio, 2018

TAVA PRECISADA ERA DE MAR

Tava precisada era de mar...
Mar aberto para uns pensamentos largos
Mar manso para os sentimentos barcos
Maré baixa para regular as cheias do meu coração
Marulho nas canelas, fazendo cócegas e rimas dos meus passos em falso
E passeando, caminhar, de mar a mar
Amar o mar, no mar amar
E no silêncio:
Marejar

Tava precisada era de amar.

15 abril, 2018

AMOR SEM CARNAVAL

Ela dança toda linda e decotada
Na janela da sacaca
Esperando ele passar
No espelho vai deixando a juventude
Em cada giro uma virtude
Em cada salto um olhar...

Ela chora porque não teve coragem
De abrir uma passagem
No seu duro coração
Pra que a vida lhe trouxesse um seu amor
Sem razão e sem pudor
Ela teme uma paixão!

E eu que vejo todo dia ela passando
Como o sol, iluminando
Minha vida tão igual
Também choro por querê-la em segredo
Pois ainda tenho medo
Desse amor sem carnaval.

14 abril, 2018

DO AMOR SÓBRIO


Não serei grande amor
Posto que já esgotei minha cota de exageros
(Nesta vida)
Não serei chuva de bençãos, porque não tem plano nem promessa, mais
Não suportaria nada por ti, antes por mim, e sempre pelo mundo
Mas
Porém
Contudo
Todavia
Ainda guardo uma caixa de silêncios
Pode ser que tenha alguns sorrisos lá dentro, esquecidos junto de tantos silêncios, guardados
Pode ser, porque não há garantia
Sorrisos novos, ainda sem uso
Daí pode ser
O que tem mesmo (de sobra) é suor
Com o qual poderás salgar tua carne para conservar algumas naturezas.

07 novembro, 2017

DISPARATE




Eu, que sempre faço as perguntas erradas...
Escondo respostas ou sofro calada? 
Eu, que da vida não levo mais que a estada, 
pois leve é a alma de quem é caminhada. 
Eu que não corro, não nado, não morro, invento cilada? 
Eu mesma respondo: eu não, eu nada.

24 agosto, 2017

Canção para o Broto

Verso de amor a gente colhe direto do pé, da boca, dos olhos, das mãos, são doces e suculentos, alimentam alma e coração. Verso de amor que nasce assim da terra, sem aviso, semente em solo fértil, germinada na canção!

31 março, 2017

NO EXCUSES



to write
to love
to love a writer
to write a love
to write a love with a writer
to love my write
to love
my best writing.


22 fevereiro, 2017

TO LOVE SOMEBODY OU COMO AMAR O RIO DA IMPERMANÊNCIA



e como já não amasse mais tinha uma necessidade ainda maior de amar novamente
mas seria um erro perder a chance de seguir só em sua jornada já milenar de atravessamentos

e porque já não amava mais andava leve e sempre em busca
nunca encontrando nada que movimentasse seu interior
a carne já não tremia

e já que não faz questão de amar encontra sempre um motivo para a satisfação do prazer seguinte
mesmo sabendo que nunca será o momento seguinte até que aconteça algo
e que seja doce
voraz e impermanente

e se já não há amor como prever o momento
a dor e a demanda? 

e como não amando
não querendo
não desejando
morre a cada instante era inevitável que amasse

imensuravelmente.

13 fevereiro, 2017

Do Amor na Pós Modernidade




O amor pós moderno
Não respira
Não toca a terra
Não cria raiz
Não recicla
Não fica
Não nada
Evapora 
Entorpece
Queima
E desaparece
Descartável
Pós Líquido:
É amor volátil