07 novembro, 2017

DISPARATE




Eu, que sempre faço as perguntas erradas...
Escondo respostas ou sofro calada? 
Eu, que da vida não levo mais que a estada, 
pois leve é a alma de quem é caminhada. 
Eu que não corro, não nado, não morro, invento cilada? 
Eu mesma respondo: eu não, eu nada.

24 agosto, 2017

Canção para o Broto

Verso de amor a gente colhe direto do pé, da boca, dos olhos, das mãos, são doces e suculentos, alimentam alma e coração. Verso de amor que nasce assim da terra, sem aviso, semente em solo fértil, germinada na canção!

31 março, 2017

NO EXCUSES



to write
to love
to love a writer
to write a love
to write a love with a writer
to love my write
to love
my best writing.


22 fevereiro, 2017

TO LOVE SOMEBODY OU COMO AMAR O RIO DA IMPERMANÊNCIA



e como já não amasse mais tinha uma necessidade ainda maior de amar novamente
mas seria um erro perder a chance de seguir só em sua jornada já milenar de atravessamentos

e porque já não amava mais andava leve e sempre em busca
nunca encontrando nada que movimentasse seu interior
a carne já não tremia

e já que não faz questão de amar encontra sempre um motivo para a satisfação do prazer seguinte
mesmo sabendo que nunca será o momento seguinte até que aconteça algo
e que seja doce
voraz e impermanente

e se já não há amor como prever o momento
a dor e a demanda? 

e como não amando
não querendo
não desejando
morre a cada instante era inevitável que amasse

imensuravelmente.

13 fevereiro, 2017

Do Amor na Pós Modernidade




O amor pós moderno
Não respira
Não toca a terra
Não cria raiz
Não recicla
Não fica
Não nada
Evapora 
Entorpece
Queima
E desaparece
Descartável
Pós Líquido:
É amor volátil




29 janeiro, 2017

Dos Sonhos Inéditos



Enquanto velo teu sono
És o poema
Sem querer te adorar
Te alcanço

Tudo é vida, amor e paz
Até o próximo despertar

Enquanto velo teu sono
O amor possível
Velo
Vejo
Meu sonho

Enquanto amar

17 janeiro, 2017

A PROMESSA (Todo porto é também Mar)


Tão azul que de azul nem se lembra
mar alto, céu, centro
a vida era movimento
e cores
nunca mais

fotografo a noite
a morte de quem ama
o futuro acabado, posto, dado

Tão seu que de mim já nem se lembra
lenda, linda!
A flor da tenda
Azul


11 janeiro, 2017

INVENTÁRIO



Putas
Santas
Somos
Tantas

pelas 
ruas 
nuas

Belas ou loucas
Toda luta é
pouca
!


08 novembro, 2016

Das Sutilezas




Além do amor
a alegria também é subversiva
e te alimenta 
ao invés de te devorar

Mas para além tudo
o amor é
irresistível.

11 outubro, 2016

Para Sempre



Para o nosso mundo
Pára o mundo: nosso!
Até o dia em que seremos
Para o mundo
NÓS
E sós
Para Sempre

14 setembro, 2016

DESEJO



Enquanto ela borda
eu ouço as estrelas:
também todas se tecem. 
Também nós desenhamos 
no céu, a vida. 

Enquanto bordas
enquanto estrelas
enquanto vivas!

*para o dia de teus anos, minha filha. Feliz Aniversário!

12 setembro, 2016

Das Vontades (Utouchable)




De dividir
tudo contigo

De te incluir
em todas as minhas orações

De te despir
lentamente, ao som de Antonio Carlos Jobim

De te dizer palavras
todas, em desordem de tamanho, numero e grau

De te deitar entre meus seios
como camafeu, adornando o invólucro do meu coração

De te conservar
inteiro, intacto, instante, in versus

De te ser
amor, apenas.



06 setembro, 2016

Entre Pausas *ALERTA: Esse poema contém uma trilha sonora



E se o amor for desmemoriado?
Estaremos sempre buscando o caminho de casa,
adivinhando feijões deixados pelo caminho,
no eterno retorno-busca-processo...
Contando as pedras, as perdas, as bundas
Gozando as palavras
Seguindo sorrisos
Conservando
os sentidos
os abraços
os afetos
as horas
sempre as horas, Leonard.


TRILHA SONORA:
https://youtu.be/bivzkH4g1ao

28 agosto, 2016

Manifesto Latente



O poetas, os poetas mesmo
aqueles de atar no coração
eles roubam os outros poetas
e roubam das outras histórias
e roubam até de si mesmos
loucos, sábios e vorazes
sabem que pra esse tipo de pecado
o perdão já vem na gênese
que com amor e com palavra
nada é tão pecado assim
se até os beijos podem ser roubados
o que se dirá da palavra
Poetas do mundo:
Uní-vossas línguas!


09 agosto, 2016




O rosto molhado
Denuncia o mistério
Lágrima ou suor
Não se sabe

O coração avisa:
Deixa cair
Virar semente
Fecundar a terra

Nas mãos do poeta
Destilar a dor
Tudo brota
Vira palavra: labor

07 abril, 2016

RECORTE



a língua mansa
avança
sem pedir licença
cada palavra
da cobra
o bote
meu recato
não resiste
teu decote
pula na nuvem
lambe o céu
roça o paraíso
a língua 
viva



04 abril, 2016

PE(r)DIDO



Pudesse
Deixava ser posse
Deixava o meu fosso
Deixava de ser

Na posse, não posso
Pedido bandido
Banhado em silêncio
No amanhecer

Como não bastasse
Não fosse o destino
Pudesse, menino
Amava você!

03 agosto, 2015

22 julho, 2015

Enquanto Casa



A alma é como uma casa de madeira, que faz barulhos com as mudanças de temperatura. O importante é sempre lembrar que não são fantasmas: são os nós do tempo.

Das Águas Passadas



Nos momentos em que me desalmo, deságua em meu peito um rio nostálgico de saudades e fantasias. Alguns aromas de cânfora e mel, uns bons goles de um doze anos, alguns acordes macios que lembram navios nos dias de vento. Enfim, momentos...
Desalmar o peito, desnudar a carne, desde que eu mantenha a mim mesma no centro.

06 julho, 2015

Blues Acordes



Algumas estrelas
De tempos em tempos
Pousam, como aves
Entre meus dedos
Querendo tocar
O meu violão.

Azulam de medo
No primeiro instante...
Não morrem: eternam-se
E divam brilhantes
Dormem estrelas
Acordam canção

26 janeiro, 2015

CATALEPSIA



amor
é gatilho 
pra morte
e
pra minha 
sorte
há tempos
eu faleci
nos tempos de paz
não amar 
será viver
e na vida
ser
sempre
e
no amor
somente 
ser

31 outubro, 2014

Das Vidas




"Noite de vento, noite dos mortos..."
(Érico Veríssimo)

"Minha vida, meus mortos
Meus caminhos tortos..."
(Secos e Molhados)

Em certas épocas do ano
(Não sei se de vento ou de flores)
Alguns fantasmas aparecem
A me visitar

Com os mortos eu até converso
Sobre amores, de carinho ou gratidão

Mas com os vivos, 
Faço questão de reforçar-lhes 
A invisibilidade...

Alma louca
Candeia pouca
Meus vivos primeiro.



07 outubro, 2014

Baisers et des Caresses


Entre tantos olhos
Todos os olhares foram teus
E nos teus abraços
Encontrei meus braços
Engoli o adeus
Entre teus sorrisos
Prometia o dia
Na linda manhã
Calor, alegria
Eu senti na pele
Qualquer coisa vã

Entre tantos beijos, suspiros e mantras
Me perdi
Nos teus.

22 setembro, 2014

Da Fome


E se não for de dor
De se entregar
Nem tente
Que amor é
Prato que se
Come quente
Lambusando a cara
E sujando
Os dentes
Amalá dos deuses
Que se manipula
Com as mãos
E levando
À boca
Vai pela garganta
Faz caminho certo
Ao coração
Se não for de dor
De queimar os lábios
E de se entregar
Se não faz salivar
Não me apetece
Se não é amor
Esquece
Que minha fome é grande
Mas meu
Coração
Maior ainda...

02 setembro, 2014

Nothing But The Blues



Like old friends
Me and my pain
With hold hands
Again...

It's another 
Ordinary story
But that's my party
There's no glory

And love was not invited...

20 agosto, 2014

Do Tempo



eu te espero entre as arvores secas do outono
e meus olhos invernam teu corpo
tu vens!
escuto de longe o farfalhar de teus passos
entre as folhas secas que descolorem o caminho
tu chegas calmo
sobejo, como uma brisa de verão
desfolha entre meus dedos
a esperança de uma primavera farta, silenciosa e feliz

amanheço, desabrochada
e já nem sei do tempo de sol ou de semente:
o tempo é de ser


13 agosto, 2014

Sala de Espera



Teu riso invade
Minha alma
Que andava
Bocejada

E o corpo agita
Como se fosse
Hora de acordar

Desperta, amor:
Despertador!

02 agosto, 2014

Enquanto Lágrima


Eu carrego uma saudade recém parida nos braços enquanto gasto o tempo de ser só
Tempo de não ter dó nem dor
Porque enquanto só: amor


01 julho, 2014

Poeminha pra um Dia Pequeno



O que é um pontinho de luz 
em um dia cinza e pequeno?
Um poema engraçadinho
ou um copo de veneno!
Bebe do poema, boba!
Já basta a vida que mata
Bebe de pouco, devagar
Sorrindo ou chorando
Até se afogar
Bebe o poema de um gole
Que o mais 
É besteira
É só acordar!
Bebe do poema bobo
Que pequeno nesse mundo
É dormir e não sonhar!


05 junho, 2014

A Hora Infame


Eis o vazio
Sem dor
Sem dó
Preenche
O espaço
Da fé

Na outra margem
Eu

Preenchendo-me
Com lápis, papel
E tesoura sem ponta
- Garçom, por favor: a conta.

11 abril, 2014

Armadilha



Meu coração
É uma casa
Sem portas
Onde só entra 
Quem sabe usar
As janelas

Conservo as 
venezianas
sem tramelas
Mas cuidado:
Não há
Saída de emergência




03 fevereiro, 2014

Vive la Resistance!




A vida persiste, resiste, insiste!
Não pede passagem, quiçá fica triste!
Cantando a canção, a alma em riste!
A vida que segue! A vida que existe!


08 janeiro, 2014

Pretexto




"E deste modo, insistindo em manter as despedidas em dia, galgando espaço entre as gargantas e os folhetins, tirando o sono de quem já não dorme, como um engasgo, um gole de vácuo, um resto de pele morta esquecida no fundo da banheira, eu que já não tomo café, que já não tomo remédios, não tomo vergonha, sigo a esperar, já não acordo, de acordo, sem cordas, mas sim, tudo pode ser esquecido."

03 janeiro, 2014

O Lugar do Meio



Entre meus pés
E o chão
O mar
Teus pés

Entre teus pés
Meus pés

Entre
E nunca mais saia.

26 dezembro, 2013

Outro Passo




Partir
Em marcha
Sob a perspectiva 
De um caminho
Linear
À sorte de ir e vir
Ao norte
A morte, dispensada
Navego ao gosto do vento
Equilibrando-me 

Remo

Sem rumo
Eu canto
Para o próximo
Parto


19 dezembro, 2013

Sentido Vento



gosto do aroma da comida fresca e de bons perfumes na pele
gosto de banhos: de mar, de chuveiro, de rio, de arroio, de cascata, de piscina
gosto de queijos, de vinhos e de taças
gosto de me demorar em frente a televisão fingindo que presto atenção em qualquer coisa
gosto de ver o pôr do sol sem vento, e gosto de vento nos dias nublados. Os dias de abril, principalmente
gosto de entrar no cinema, de sentar no cordão da calçada e de chimarrão em silêncio
gosto de colocar meus pés em um ângulo de  90° no colo das pessoas. Das que amo, frequentemente
gosto de ser caroneira em viagens, e de sentir o vento na palma da mão que dança fora da janela
gosto do cheiro da estrada do mar
gosto de ver o mar
gosto de pedir que me alcancem um copo d’água, e de beber água
gosto de dormir, de acordar, e de dormir novamente
gosto de abraços, gosto dos braços, gosto de afeto

eu gosto 
de ser um ser
desses que vêm a passeio
porque eu gosto mesmo
é de passear...

09 dezembro, 2013

Versos Avulsos para uma Canção Desmerecida



É como se tua presença  nunca fosse notada
Porém, tua ausência, sempre percebida

Tem dias normais, em que não há nada
Tem dias iguais, em que só há vida!

06 dezembro, 2013

Além do Pneumotórax



Um dia
Sabe-se lá como
Acordou misteriosa:
Os médicos bateram chapa
Examinaram-lhe  as têmporas
Pediram elétro...

- Pobre moça...  É um descompasso no coração!

Ela comprou um tamborim usado
E toda noite bebe um gole
Da velha cachaça de rolha
Que herdara do avô

O coração descompassado
Pelo milagre do samba
Agora está calibrado
Diz que o mistério nunca foi embora
Mas sente-se curada
Por dentro e por fora

Eis o mistério do samba!




26 novembro, 2013

La Petite Mort II

 

Let the sun make me shine
Let the moment pass me by
I'm on the way, I'm on the way
Never let me - let me die
 
 

05 novembro, 2013

Da Vida Sonhada

  
 
Eu te prometo dias repletos de poesia:
Desde a nuvem que passa,
Preguiçando nosso olhar depois do almoço
Às formigas que importunam nossa sesta
Tudo será cheio de graça, de paz e de espanto
Tal qual nossos poemas
Que serão paridos na beira do rio
 
Eu te prometo noites cheias de aromas:
Da comida fresca na mesa posta, que te espera
Do meu banho quente e demorado em flores, que te espera
Do meu hálito sereno com palavras mansas, que te espera
Do meu corpo exausto, e casto, e vasto, que te espera
Do meu sexo vivo, que te espera
O aroma da minha espera.
 
Eu te peço algo em troca:
Tua mão no meu cabelo
Teus dedos enlaçados em minhas rédeas
E isso basta.
 
O resto a gente conserta
No escrever dos dias
O resto a gente inventa
No desenrolar das noites
O resto é estrada
E a gente caminha.

31 outubro, 2013

Noite Varada


Escutávamos juntos o canto dos primeiros sabiás, noite varada, olhos exaustos, água da pena e uns bons cigarros. Aos que se entregavam ao sono, distribuíamos cobertas, colchas, travesseiros, almofadas, o que fosse. Ajeita-se qualquer pessoa quando esta dorme por cansaço físico. Tarefa mais fácil ainda quando a parada é etílica. Nenhuma alma, mesmo que perturbada, resiste ao sono do porre. Até porque, dormir é morrer um pouco, o adeus tão esperado, descansar. Mas o canto dos sabiás... Me lembrava o Tom, “vou voltar, sei que ainda vou, vou voltar para o meu lugar...”, e uma angústia absurda me rasgava, tinha a noção da fome no mundo, um saudade de casa, uma vontade de regresso. Mas pra onde eu vou voltar? Eu, que não tinha lugar. “Para onde estamos indo?”, eu indagava, com os olhos marejados. “Estamos indo sempre pra casa”, disse ele, com a voz baixa e mansa, apagando o último cigarro, bebendo o último gole d’água, e me dizendo adeus, pela última vez.

30 outubro, 2013

Meu Espelho



 
Não temo o futuro
Esconderijo secreto
Do que já está aqui
Pois no instante que virá
Nada existe se não o que não há
 
Não sofro o passado
Deixo que meus mortos
Durmam e descansem
Esqueço, no mais,
Até das flores e das pedras
 
Mas esse instante que passa
É meu martírio e meu alento
Esse é lugar onde vivo
O presente é o espelho
Do meu tempo de viver
 

15 outubro, 2013

Há vagas


 
Em dias assim, minha alma transita
entre o mundo e o mundano
entre o real e o insano
Buscando alguns sortilejos
 
E nesta esfera mitológica
Imponho minhas paixões
Empenho as ilusões
 
Às varejeiras ponteadas: a vida
Às matadeiras de combate: a morte
 
Excepciono-me: há vagas